Mulheres construindo o futuro da Igreja Perseguida: Hwa-Young

Do outro lado do mundo, mulheres como Hwa-Young estendem a mão para ajudar cristãs a permanecerem na fé. Realizar um trabalho cristão com mulheres norte-coreanas exiladas que se escondem na China não é um ministério fácil. Mas Hwa-Young* aceitou o desafio.

Uma escritora da Portas Abertas recentemente se reuniu com a irmã para falar sobre seu ministério. A história abaixo fornece uma visão única sobre os perigos e desafios espirituais e, esperamos, que com esses trechos você se sinta encorajado a orar pelas norte-coreanas, bem como por missionárias como Hwa-Young.

O encontro aconteceu em uma “igreja segura” a centenas de quilômetros do campo missionário de Hwa-Young, no nordeste da China. A equipe conheceu os líderes desta igreja e se certificou que o prédio não estava sendo grampeado. O cuidado é realmente necessário. Hwa-Young, por exemplo, viaja longas distâncias para alcançar as pessoas com quem trabalha e as norte-coreanas fazem o mesmo, seguem com cautela o caminho até Hwa-Young. Então, a conversa começa.

Como você se envolveu no ministério da Portas Abertas com a Coreia do Norte?
“É uma longa história, mas vou dar a versão curta. Quando era mais jovem, orava por missionários. Sempre que orava pelo trabalho missionário, tinha essa imagem de mulheres norte-coreanas em minha mente. Eu não estava sonhando. Deus me mostrou esta visão quando participava de reuniões de oração pela manhã. Ainda assim, levei vinte anos para me envolver de verdade. Por 20 anos eu servi igrejas locais, até que finalmente o chamado veio. ”

Vinte anos? Isso é muito tempo.
“Não me pareceu tanto tempo. Moisés esperou 40 anos depois de deixar o Egito. Davi teve de se preparar por 30 anos. Vinte anos foram o suficiente para me preparar.”

Como você se preparou?
“Primeiro, através da educação teológica, oração e estudo da Bíblia. Segundo, servindo a igreja local. Aprendi a pastorear as ovelhas, a fazer aconselhamento e também a trabalhar com administração da igreja. Todas essas experiências foram benéficas para que eu liderasse um grupo de igrejas domésticas.” (Ela se refere às reuniões de grupos de mulheres que ela organiza em diferentes lugares.)

Como você conheceu a Portas Abertas e os cristãos perseguidos?
“Apesar de orar pelos missionários quando eu era mais jovem, nunca pensei que me tornaria uma. Eu estava focado em servir na igreja local. Então eu encontrei o irmão Simão* (coordenador da Portas Abertas na Coreia do Norte) e ele compartilhou sobre cristãos perseguidos durante reuniões de grupo pequeno eu participei. A primeira vez que ele falou sobre a Coreia do Norte, realmente não tocou meu coração. Só depois da terceira vez – quando ele me convidou para se juntar a ele – sentiu que o chamado vinha de Deus. Mais tarde, por diferentes caminhos, Deus confirmou que este era realmente o seu chamado para minha vida.”

Como você se sentiu ao se juntar ao ministério das mulheres?
“Os dois primeiros anos foram os mais difíceis. Eu não tinha experiência e não falava chinês. Lidar com mulheres norte-coreanas também é muito difícil. Depois, há a questão de segurança. Como é possível evitar ser preso? Eu me sentia sozinha, pressionada e com saudades de casa o tempo todo.”

Nem todo mundo que vai ler sua história está familiarizado com a Coreia do Norte. Você pode explicar por que as mulheres norte-coreanas são tão diferentes? Tão machucadas?
“Uma das grandes razões é que eles foram criados com medo. Elas vão para a pré-escola com cinco anos de idade. Ainda com pouca idade são forçadas a assistir às execuções públicas. Às vezes, amigos ou vizinhos foram assassinados na frente de seus olhos. Mesmo quando se tornam adultas e deixam o país, ainda experimentam essa pressão psicológica. Há muito mais liberdade aqui na China, mas as mulheres ainda não estão seguras aqui. Então eles continuam a viver com medo. Além disso, a maioria foi abusada. Outro fator é a pobreza extrema em que foram criadas. Sempre estão com fome. Todas sabem o que é se preocupar com cada refeição, comer do lixo e pedir comida

Posso imaginar como isso muda uma pessoa.
“Sim. Elas também foram traídas por pessoas em quem confiavam. Essa é uma das coisas mais difíceis para elas. Às vezes, em nossas reuniões de grupo, convido-as a perdoar. Eu pergunto: ‘Você conhece pessoas que você não pode perdoar? Todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que simplesmente não é possível perdoar.”

Mas como você pode ajudá-las a perdoar alguém, especialmente se elas admitem que não podem perdoar essa pessoa?
“Compreender o processo de perdão é difícil. Mas você pode ver o Senhor trabalhando nelas. Muitas delas fizeram progressos nessa área. Parece impossível, mas com Deus é possível que essas mulheres perdoem. Deus usa todo sofrimento para o bem. Passamos por experiências de dificuldades e temos que aprender a abraçá-las. Eu já experimentei o poder do perdão e já vi como essas mulheres norte-coreanas mudam e perdoam.”

Hwa-Young, como outros trabalhadores secretos da Portas Abertas, vê o trabalho de Deus ao longo do tempo. Ela sabe que sua mão não abandona o que começou. Até mesmo nos temos de crise, como quando recebeu uma notícia de que uma das mulheres com quem trabalhava estava desaparecida. Grace* foi levada de volta à Coreia do Norte e um policial pediu dinheiro para que pudesse libertá-la. Ela voltou à China e ao grupo de mulheres.

Qual é o plano de Deus para você e para as mulheres a quem você serve?
O objetivo do nosso projeto com as mulheres é levantar futuras líderes. Hoje, já tenho três. Durante todo verão e inverno temos estudos bíblicos para aquelas que demonstram vontade e  potencial de se tornarem influenciadoras. Meu desejo é ser firme em fazer o que o Senhor quer que eu faça”.

Na foto uma imagem rara (devido aos perigos de tirar fotos de cristãos norte-coreanos). Ela também fala de alegria, felicidade e união. Essas mulheres raramente ou talvez nunca foram capazes de adorar a Deus em um grupo como esse. Na Coreia do Norte, se reunir com outros cristãos é um ato perigoso que pode levar à prisão ou a campos de trabalhos forçados.

Ore hoje por segurança, perseverança e fé à Hwa-Young, por missionários como ela e pelas mulheres norte-coreanas.

*Nomes alterados por motivos de segurança.

Fonte: Portas Abertas

 

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